Ivan Schuster
187 - O trem
01/08/08 - 11:40


Outro dia falava com um cliente sobre as diversas oportunidades que a Copa do Mundo de 2014 deverá proporcionar. Dizia-me ele: “Temos que pensar em alguma coisa, pois será uma oportunidade única para se ganhar um bom dinheiro em pouco tempo”.

É verdade. Um evento deste porte movimenta a economia de um país inteiro, ainda mais de um país ainda por crescer. Construção civil, transporte (cargas e passageiros), hotelaria, restaurantes, comércio, comunicação, tecnologia da informação, imprensa, pesquisa e desenvolvimento, indústria de brindes, vestuário, etc. Difícil será identificar a área que não será atingida por este que deverá ser o maior evento já acontecido no Brasil e, quiçá, na América Latina.

O bom é sabermos que o Rio Grande do Sul, mais precisamente Porto Alegre, será uma das sedes para a realização dos jogos. Isto nos permitirá pleitear uma boa parte dos investimentos, propiciando melhorias em vários aspectos e até, de certa forma, estimular o crescimento da economia regional. Porto Alegre, e consequentemente todo o RS, aparecerá para o mundo em larga escala e por longo período. Oportunidade única para a exposição dos nossos produtos, serviços, cultura e tudo mais.

Havendo jogos em Porto Alegre é de se supor que as seleções que lá jogarão necessitarão de locais adequados para alojamento e treinamento. Provavelmente não haverão locais suficientes na capital para todas as seleções, mesmo porque, normalmente, optam por ficar um pouco distantes dos locais dos jogos. A primeira opção que vem à cabeça é a Serra Gaúcha. Mas não necessariamente tem que ser a única. Também lá, há uma série de restrições e inconvenientes.

Acho que se o governo e a comunidade pelotense trabalharem de forma planejada, focada e com sinergia, Pelotas poderá também tirar um bom proveito deste evento. Pode-se, por exemplo, produzir produtos artesanais ou industriais específicos para a Copa, estabelecer roteiros turísticos, realizar atividades esportivas paralelas (a Lagoa dos Patos deveria ser melhor explorada) e, principalmente, sediar alguma seleção que vá jogar em Porto Alegre.

Claro que só vontade não basta. É preciso ação. Providenciar a instalação de um bom hotel (olha a Lagoa dos Patos aí de novo), por exemplo, é fundamental. Na carona, e aí é o ponto que eu queria chegar, poderia ser construído um centro esportivo municipal com toda a infra-estrutura necessária. As famosas arenas. Nada babilônico, mas que atenda as necessidades da cidade e região. Linhas de financiamento, investidores e empreendedores provavelmente não faltarão. Estão todos de olho no Brasil.

Ao contrário de muitos, eu não acho que um estádio próprio seja importante na existência de um clube de futebol. Já defendi aqui outras vezes, que ao invés de cada clube da cidade construir o seu próprio estádio, investindo recursos que não possuem, deveriam unir-se e proporem um projeto único junto ao governo local e a toda a comunidade. Desta forma, poderiam direcionar seus escassos recursos e amplos esforços na construção dos seus centros de treinamento, de preparação física e de formação profissional.

Sei que parece meio utópico, mas em algum local as seleções terão que se instalar. Por que não em Pelotas? Como é um assunto controverso, precisa ser debatido logo. O trem vem aí e logo passará. Será nossa a decisão de embarcar nele ou não.

Isto é o que dá não ter jogo do Xavante.

Rubro-negro vem aí! Rumo à Série B!

Abs,

Ivan Schuster

E-mail: ivan@brasildepelotas.com