Ivan Schuster
183 – Ah, eu sou Xavante!
23/07/08 - 23:58



Qual a razão da existência de um clube de futebol se não for para dar alegria a sua torcida? Muitos torcedores adversários me escrevem, dizendo que nós, Torcedores Xavantes, nos importamos mais com a Torcida do que com o time. E tem como ser diferente? De que serve um time sem torcida?

Qual a graça de um estádio vazio? Qual a repercussão de uma vitória sem festa, sem alegria? Qual a emoção de ver uma partida de futebol pela TV? Digo-lhes: Nenhuma! Antes do time e do próprio clube, está a torcida. Nós, Xavantes, sabemos disto. Somos cientes e conscientes do nosso papel. Somos uma torcida que tem um time. E não o vendemos e nem arrendamos. O clube é nosso. O Xavante somos nós! Quando o time ganha, nós ganhamos. Somos um só! Não terceirizamos a nossa responsabilidade. Não ganhamos hora-extra para torcer. Ser Xavante é prazer, é privilégio.

A propósito, ganhamos! Contra tudo e contra todos (esse Fabrício...! ). Ganhamos! O grande clube, que é profissional, que investiu R$ 6milhões, que possui banheiras maravilhosas, vestiários exemplares, campos de treinamentos de nível FIFA, estádio que nunca encheu, que tem um planejamento infalível para chegarem a Série A, que possui um modelo de gestão só comparável ao do Chelsea, tombou no Bento Freitas. Sentiu a força do carvão de pedra. Danou-se!

Perderam para um clube humilde, com poucos recursos financeiros, originário de uma região pobre e pouco desenvolvida, mas - sempre tem um mas - um clube com alma, que possui uma Torcida apaixonada e um time com vergonha na cara. Paixão, orgulho e honra não se compram. A paixão venceu o tostão.

Após a quinta rodada o grande favorito, aquele que já se considera campeão, está juntinho conosco. Oito pontos para cada um. Nem mais, nem menos. Oito pontinhos, igual. Gastam dinheiro, falam pelos cotovelos, mas não conseguem disparar. Olham para os lados e lá estamos nós. Ajoelham e choram.

Sentiram o peso do Caldeirão, do desconforto do calor na nuca. Quiseram se livrar de nós, mas não conseguiram. Terão que nos enfrentar novamente. Sentir a pressão do Caldeirão. Ah, meus deuses! Que pesadelo, tudo de novo?

Cinco torcedores grenás. CINCO! Este foi o tamanho da grande torcida metalúrgica que veio ao Bento Freitas. Toda cheia de si, certa da vitória, arrotando grandeza e superioridade. Vão voltar de cabeça inchada. Atônitos. O que aconteceu? Como um time de um clube sem dono pode nos vencer? Chorem grenás! Aprendam a lição da humildade. Confessem seus pecados. Quebrou o salto alto! Foram ao chão. No Bento Freitas o peido é seco! Não tem dor nas tripas.

Ainda não vi as imagens, mas pelas declarações das rádios, dos Guerreiros Xavantes e dos Torcedores que lá estiveram, a Torcida Xavante fez o que está acostumada a fazer. Mostrou seu show. Gravaram? É bom. Agora mostrem para todos os seus para tentarem fazer igual. Tem que olhar, para aprender. Torcida não ganha jogo? Não para quem não a tem. Ser Xavante não é para qualquer um!

Por hoje é só. Vou dormir. Estou de alma lavada. E olha que estamos apenas começando. O time ainda não está entrosado, o Júnior Paulista ainda vai entrar neste time e jogar ao lado do Cleber Gaúcho. Se facilitarem, ainda acabamos em primeiro da chave. Que loucura! Estamos na segundona (fase).

É, meus queridíssimos Secadores e Trombetas do Apocalípse, Rubro-negro vem aí!

Fui! Rumo à Série B!

Abs,

Ivan Schuster

E-mail: ivan@brasildepelotas.com