Qual a razão da existência de um clube de futebol se não
for para dar alegria a sua torcida? Muitos torcedores adversários
me escrevem, dizendo que nós, Torcedores Xavantes, nos importamos
mais com a Torcida do que com o time. E tem como ser diferente? De que
serve um time sem torcida?
Qual
a graça de um estádio vazio? Qual a repercussão
de uma vitória sem festa, sem alegria? Qual a emoção
de ver uma partida de futebol pela TV? Digo-lhes: Nenhuma! Antes
do time e do próprio clube, está a torcida. Nós,
Xavantes, sabemos disto. Somos cientes e conscientes do nosso papel.
Somos uma torcida que tem um time. E não o vendemos e nem
arrendamos. O clube é nosso. O Xavante somos nós!
Quando o time ganha, nós ganhamos. Somos um só! Não
terceirizamos a nossa responsabilidade. Não ganhamos hora-extra
para torcer. Ser Xavante é prazer, é privilégio.
A
propósito, ganhamos! Contra tudo e contra todos (esse
Fabrício...! ). Ganhamos! O grande clube, que é profissional,
que investiu R$ 6milhões, que possui banheiras maravilhosas,
vestiários exemplares, campos de treinamentos de nível
FIFA, estádio que nunca encheu, que tem um planejamento
infalível para chegarem a Série A, que possui um
modelo de gestão só comparável ao do Chelsea,
tombou no Bento Freitas. Sentiu a força do carvão
de pedra. Danou-se!
Perderam
para um clube humilde, com poucos recursos financeiros, originário de uma região pobre e pouco desenvolvida,
mas - sempre tem um mas - um clube com alma, que possui uma Torcida
apaixonada e um time com vergonha na cara. Paixão, orgulho
e honra não se compram. A paixão venceu o tostão.
Após a quinta rodada o grande favorito, aquele que já se
considera campeão, está juntinho conosco. Oito pontos
para cada um. Nem mais, nem menos. Oito pontinhos, igual. Gastam
dinheiro, falam pelos cotovelos, mas não conseguem disparar.
Olham para os lados e lá estamos nós. Ajoelham e
choram.
Sentiram
o peso do Caldeirão, do desconforto do calor na
nuca. Quiseram se livrar de nós, mas não conseguiram.
Terão que nos enfrentar novamente. Sentir a pressão
do Caldeirão. Ah, meus deuses! Que pesadelo, tudo de novo?
Cinco
torcedores grenás. CINCO! Este foi o tamanho da grande
torcida metalúrgica que veio ao Bento Freitas. Toda cheia
de si, certa da vitória, arrotando grandeza e superioridade.
Vão voltar de cabeça inchada. Atônitos. O que
aconteceu? Como um time de um clube sem dono pode nos vencer? Chorem
grenás! Aprendam a lição da humildade. Confessem
seus pecados. Quebrou o salto alto! Foram ao chão. No Bento
Freitas o peido é seco! Não tem dor nas tripas.
Ainda
não vi as imagens, mas pelas declarações
das rádios, dos Guerreiros Xavantes e dos Torcedores que
lá estiveram, a Torcida Xavante fez o que está acostumada
a fazer. Mostrou seu show. Gravaram? É bom. Agora mostrem
para todos os seus para tentarem fazer igual. Tem que olhar, para
aprender. Torcida não ganha jogo? Não para quem não
a tem. Ser Xavante não é para qualquer um!
Por
hoje é só. Vou dormir. Estou de alma lavada.
E olha que estamos apenas começando. O time ainda não
está entrosado, o Júnior Paulista ainda vai entrar
neste time e jogar ao lado do Cleber Gaúcho. Se facilitarem,
ainda acabamos em primeiro da chave. Que loucura! Estamos na segundona
(fase).
É, meus queridíssimos Secadores e Trombetas do Apocalípse,
Rubro-negro vem aí!
Fui!
Rumo à Série
B!
Abs,
Ivan
Schuster
E-mail:
ivan@brasildepelotas.com
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