Ivan Schuster
180 – Satiagraha
19/07/08 - 10:54


Cada um tem o seu caminho, a sua estrada a ser percorrida. O nosso caminho nunca foi pavimentado. Sempre tivemos muitos obstáculos para superar. Paus, pedras, buracos, assaltantes, inimigos, chuva, barro, poeira, seca, animais selvagens, fantasmas e tudo mais que se pode imaginar em um caminho longo, tortuoso e irregular. Não me queixo, apenas constato. Sempre foi assim. Estranharemos o dia que for diferente. Já nos acostumamos a ele.

E assim vamos caminhando, em busca dos nossos sonhos, da nossa verdade. Quem nasceu da indignação, da inquietude e da vontade de fazer mais e melhor, não se detém, segue com determinação e firmeza. Temos um sonho. Seguimos, perseguimos. Vamos conquistá-lo.

Tropeços e quedas fazem parte de qualquer longa jornada. Temos muitas marcas, cicatrizes, textos da nossa história. Por vezes o terreno muda e precisamos nos adaptar a uma nova realidade. Nem sempre conseguimos de forma rápida e objetiva. Nem sempre o caminho mais curto é o melhor. Mas também nunca ficamos no chão. Se caímos, levantamos. Levantando, andamos. Andando, avançamos. Seguimos. Sempre.

Há outros percorrendo este nosso mesmo caminho. Nem todos com o mesmo destino, mas compartilhamos trechos da mesma estrada. Já houve quem nos passasse e hoje está muito atrás. Alguns pegaram outras estradas, muitos desistiram, outros começam agora. Nossa caminhada é longa. Faz tempo que estamos na estrada. Conhecemos e somos conhecidos. Nos distinguimos. Somos fortes, guerreiros. Respeito não se compra e nem se ganha. Respeito se conquista com atos e não palavras.

Não é uma jornada para frouxos. É preciso ter fibra. Muitos dos que encontramos ao longo do caminho, alguns já conhecidos de longa data, estão melhores equipados do que nós. Talvez seus pés doam menos, estão melhores calçados, mas doem. Suam e ofegam igualmente. Sobem as ladeiras com muito esforço, sentem nas pernas as dificuldades do caminho. É neste momento que nos distinguimos. Nossa passada é constante, firme. Devagar e sempre. Muitos tentaram correr e não aguentaram. Desistiram. Não é caminho para aventureiros. Bravos, é o que somos.

Alguns não entendem porque caminhamos. Que sonho é este? Como pode alguém comum, do povo, querer estar entre os grandes? Não entendem o nosso orgulho, a nossa vontade, não sonham os nossos sonhos. Caminham porque são pagos para fazê-lo, porque é rentável. É o seu trabalho não a sua vontade. É dinheiro. Não é paixão. Nós caminhamos porque escolhemos caminhar. É a vida. A nossa vida. Não temos vergonha, só orgulho. Somos felizes assim.

Temos o peito cheio de ar, o coração pulsante e muita fé. Fé em nós mesmos, no nosso desejo, no nosso caminho e na nossa verdade. Seguimos nosso destino. Nossa tarefa. Temos um sonho para tornar realidade.

Rubro-negro vem aí! Rumo à Série B!

Abs,

Em tempo: Parabéns ao delegado Protógenes Queiróz e ao juiz De Santcis, exemplos de que paixão e orgulho pelo que se faz e acredita não tem preço.

Ivan Schuster

E-mail: ivan@brasildepelotas.com