Ivan Schuster
178 – Idiossincrasias
15/07/08 - 11:44


Uma das coisas apaixonantes do futebol é permitir uma gama muito grande, e por certo divergentes, de opiniões. Tenho me divertido muito lendo as diversas visões expostas nos fóruns e blogs esportivos a respeito do atual momento do GEB.  

Se formos levar ao pé da letra a opinião de cada um não teremos time para colocar em campo no próximo domingo. Ninguém presta. São todos uns pernas-de-pau. Um não gosta do goleiro, o outro afirma que o problema é na zaga, outro tem convicção que o meio de campo é ruim, e assim vai. Humildade e compreensão é algo que normalmente passa longe de um comentário sobre futebol. 

Isto sem falar nos Trombetas do Apocalípse que já dão como certa a nossa desclassificação nesta primeira fase. Até agora estavam quietos, mas já começaram a se mexer. Não conseguem conter a ansiedade. Santa paciência. 

Igualmente interessante é observar a divergência entre as opiniões dos “entendidos”. Uso o termo “entendidos”, pois ao escreverem o fazem com tal convicção que dão a impressão de serem os mensageiros da verdade, a luz da inteligência sobre as trevas da ignorância. E como cada um tem a sua verdade, ficamos com várias verdades. Ou, por decorrência, nenhuma verdade. O único consenso é que o técnico é burro. Isto, independentemente de quem seja o técnico. 

Assim, por exemplo, temos aqueles que acham o Júnior Paulista um bom jogador (eu sou deste grupo) e outros que acham ele um baita enrolão, que só quer saber de fazer firulas e é lento. O Alex Martins, que no final do Gauchão só não foi decapitado porque esta seria uma atitude, digamos assim, um tanto quanto selvagem, agora só não será convocado pelo Dunga por pura perseguição. Milar? Este é o campeão de discordâncias. Diverte-me muito ler as opiniões a respeito dele. 

O assunto fica mais complexo, e interessante, quando começam a falar de esquema tático. Aí eu vou a loucura! Como entendo bulhufas, aí sim que piro na batatinha. Parece-me que o esquema preferido pela maioria (ainda não entendi o por quê) é o 4-4-2, mas dificilmente há uma concordância de qual o time deverá executá-lo. Só eu não fui escalado. 

Muito li e ouvi sobre que o problema do time Xavante era o 3-5-2 que o Tio Chico vinha adotando. Tem gente que acha que este esquema não funciona por definição, tem aqueles que juram de pé junto que este esquema não funciona para o GEB – independentemente de qualquer plantel que venhamos a ter – e tem aqueles, mais sensatos ao meu ver, que defendem que o atual plantel não possui elementos para este esquema. O fato é que, segundo li, o GEB iniciou jogando um 4-4-2, ou teria sido um 4-3-3 (?), e foi horrível, melhorando, e muito, no final do jogo quando estava em um 3-5-2. Vai entender. 

De qualquer forma, seja qual for o time escalado ou qual o esquema adotado, em caso de derrota, sempre se lerá e ouvirá alguém dizendo o famoso “eu disse, eu avisei”. O que dificilmente ouviremos ou leremos, serão retratações em caso de sucesso utilizando um time ou esquema contrário as convicções anunciadas. 

Mas, como eu disse antes, são estas coisas que fazem do futebol ser o que é. Não há uma verdade absoluta e, diferentemente da grande maioria dos esportes, ser melhor não necessariamente significa ser o vencedor. Teorias inteiras são postas abaixo pela marcação, ou não, de um gol, que não necessariamente se fez por merecer ou se fez. 

Sendo assim, resta-nos fazer o nosso papel de Torcedores. Como é impossível termos uma verdade única, um consenso mínimo que seja, e montarmos um time a partir da união de todas as nossas certezas, parece-me mais lógico que apoiemos de forma incondicional aqueles que elegemos para nos representar. 

Rubro-negro vem aí! Rumo à Série B! 

Abs,

Ivan Schuster

E-mail: ivan@brasildepelotas.com