Leleco é um jovem de 12 anos, filho de médicos,
nascido e residente em Porto Alegre. Pela sua pouca idade e boa
condição social, felizmente, ainda conhece pouco
da vida, das injustiças sociais, das relações
promíscuas entre governantes e governados, da cotação
do dólar, do imposto de renda, do preço do pãozinho,
da gasolina batizada e tudo mais que nos assombra e, por vezes,
deprime. Digo felizmente porque na sua idade não deve mesmo
ter conhecimento destas coisas. Infelicidade é sabermos
que existem muitas crianças tão jovens quanto ele,
ou mais, que já enfrentam uma batalha diária pela
sobrevivência.
Mas o que quero
contar sobre o Leleco é que ele é Xavante.
Mesmo morando em Porto Alegre, sob a influência diária
da mídia grenalista e sofrendo gozação dos
seus colegas e amigos, que não entendem como alguém
pode não ser gremista ou colorado, o Leleco percebeu muito
cedo que havia nascido Xavante, e sempre sentiu-se bem com isto.
Ser Xavante não é opção, é destino.
Não se vira Xavante, se nasce Xavante.
O primeiro
jogo do Leleco no Bento Freitas foi em uma partida válida pelo Gauchão 2006 contra o São Luiz-Ijuí (GEB
3 x 2 SL). O fato é que a imagem do Caldeirão cheio
e fervente, a ansiedade da espera, a visita na sede da Garra Xavante,
a festa da Torcida Xavante na entrada do Esquadrão Rubro-negro
em campo e tudo o mais, fez firmar aquele sentimento de felicidade,
paz e orgulho que só quem é Xavante consegue sentir
e entender. Ali, naquele dia, Leleco foi batizado “Torcedor
Xavante”.
Desde então, o Leleco tornou-se uma espécie de Torcedor
símbolo da nova geração, o mascote da Onda
Xavante. Não só resiste ao “establishment” esportivo
Gaúcho, como ainda difunde a “palavra Xavante” entre
seus colegas e amigos em Porto Alegre, por vezes, presenteando-lhes
com o Manto Sagrado. Isto sem falar nas inúmeras contribuições
para as ações promovidas pelos participantes do Fórum
Xavante ( http://www.forumxavante.com ).
O Leleco é uma prova viva de que resistir é possível,
de que podemos nos multiplicar e crescer além das fronteiras
da Ponte do Retiro. Um exemplo para nós, Xavantes expatriados,
integrantes desta Onda Xavante, para que assumamos este nosso papel
de missioneiros, responsáveis por levar a outros pagos a
mensagem da felicidade que é ser Xavante. Cabe a nós
difundirmos a visão de que há uma forma de torcer
e ser feliz, sem mágoa, rancor ou violência. Ser Xavante é ser
o “show”.
A questão é que agora o bicho vai pegar. Não
satisfeito em acompanhar seu pai nas excursões da Onda Xavante,
em entrar em campo com nossos Guerreiros, em poder dizer orgulhosamente “eu
sou Xavante”, só para ver a cara de espanto dos grenalistas,
o Leleco extrapolou, rompeu barreiras, parou o trem. Enfim, pediu
um surdo de presente. E ganhou!
É isto mesmo. O Leleco ganhou um surdo (da Multissom, claro)
que não cabe dentro do ônibus. Em bom gauchês:
Uma munaia dum surdo. É quase um treme-terra. Reza a lenda
que precisou de dois para carregar a caixa para o carro. Foi necessário
entrar em casa pela janela.
Agora, meu
povo, quando os nossos Guerreiros entrarem em campo e a Garra
Xavante fizer a tradicional saudação, batendo
seus instrumentos de percussão, é muito provável
que no meio daqueles artistas musicais esteja o Leleco, “A
Lenda”. Um guri orgulhoso, feliz e agradecido por ter tido
a sorte de ter nascido Xavante, ajudando a dar o ritmo no pulsar
dos nossos corações.
Rubro-negro
vem aí! Rumo à Série B!
Abs,
Ivan
Schuster
E-mail:
ivan@brasildepelotas.com
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